sábado, 7 de junho de 2008

...o fantasma do café colonial...

As ventoinhas, de pás longas e elegantes, rodopiavam numa circular desesperada a misturar ar quente com ar quente, na vã esperança que essa tonta deslocação fizesse o milagre do refrescar.
A sala sombria e funda, com as suas paredes brancas intercaladas com painéis de madeira escura, estava quase vazia. Das trinta mesas redondas, de pés robustos e tampo de mármore amarelado pelo tempo, só três ou quatro é que estavam ocupadas.
Encostado ao balcão, enfadado, o empregado segurava a bandeja metálica encostada à barriga, parecendo um discóbulo mumificado, a olhar o velho violoncelista que penosamente afagava a cordas, numa obrigação mecânica e saturada, cujo efeito era o de adensar com notas cavas o ar já de si carregado com o peso húmido daquele estio tropical.
E lá estava ele. Sentado na sua mesa de sempre, a última encostada à parede leste. Ele, a mesa, a cadeira de madeira castanha dourada, a garrafa transparente de rum da mesma não cor, mas que se teima em chamar branco, e o copo baixo de vidro grosso estriado, formavam uma composição estática, roubada ao fluir do tempo, testemunho de algo indefinido que já passou. Uma época, uma forma de vida – a dele e dos deles que já não estão -, que se extinguiu sem glória e sem semente.
E assim, ele, o velho dono da plantação que é hoje uma ruína e um vasto matagal, derrotado pelos fluxos do mercado, que transforma suor, lágrimas e vidas em números que a ele, velho, nada diziam e que não percebia porque é que o seu cacau, as suas bananas e o seu café, foram arrancados não pela catana renovadora das culturas, mas por uma filha da puta de uma flutuação de cotação.
E lá estava ele à espera de nada do nada que tinha, a embotar por querer a memória com o vapor do rum acre que lhe escorria a queimar a garganta, a esforçar-se por se sentir ele próprio um velho nada, porque sentir algo para além disso, provocava uma dor insuportável.
E lá estava ele. Sentado na sua mesa de sempre. Ele o fantasma do café colonial.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

FCP SAD sad

Quando o FCP decidiu não recorrer da decisão disciplinar que afectava o clube, apenas recorrendo da decisão que afectava o Senhor Pinto da Costa, escrevi que o Futebol Clube do Porto clube tinha acabado e que apenas existia o Futebol Clube do Porto SAD.
É um bocado esquisito verificar agora que uma entidade que optou por não recorrer de uma decisão disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol vai, sobre a mesma matéria, recorrer para uma decisão disciplinar da UEFA.
Há contradições que são inadmissíveis, a não ser que a única coisa que conte seja o "pilim". Para o velhinho FCP clube...havia mais coisas que contavam.

terça-feira, 3 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

domingo, 1 de junho de 2008

...pensamento pré-sono...

Parece ser “Causa Nacional” ganhar o “Europeu”.
Uma causa de merda e ainda por cima a ser ganha com os pés dos outros.

...elegia do...

O teu cheiro inebria-me todos os demais sentires,
A tua pele dourada, dura mas delicada,
é um irresistível apelo a que te toque e segure
com uma firmeza suave.
Não resisto a comer-te, com muita vontade de o fazer sofregamente,
mas condeno-me à doce pena de te deglutir devagar,
tomar-te, calmamente, o gosto em todas as papilas,
vibrar com a tua humidade doce, temperada pelo toque da especiaria,
aperceber o teu escorrer denso enquanto te desfazes em mim
e depois de consumado que está, lamber já com saudades de ti
….o que de ti em mim se escapou


.....................................................................pastel de nata...

...hard making off...


...para ser roubado...