segunda-feira, 10 de agosto de 2009

...demora tempo...


Demora tempo a fazer um homem.
Demora tempo a fazer uma vida.
Demora tempo a saber dar colo a quem nos magoou.
Demora tempo a perceber o que somos e porque somos.
Demora tempo para se saber quais a lutas que valem a pena
e a saber quais são as inúteis e irrelevantes.
Demora tempo a despojar-nos do muito e a ficarmos só com o pouco que é imenso.
Demora tempo a serenar em plena borrasca.
Demora tempo…
O bom é que sobre tempo.
Algum tempo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

...dezanove anos...

Faz hoje dezanove anos que por obra e vontade de dois a minha vida mudou definitivamente para melhor.

Parabéns filha e obrigado por tudo o quanto me tens dado.

És uma excelente filha e uma mulher muitíssimo interessante.

Para mim hás-de de ser sempre o meu novelo encaracolado que eu passeava ao colo e a quem apontava coisas novas que te explicava pouco preocupado que me entendesses ou não.

E a ti que comigo partilhas o trilho o meu eterno obrigado por seres o molde certo que ajudou a dar a consistência maior à filha que temos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

...kumru...


Kumru…(AQUI)


A melodia sobe, desce, revolteia como uma folha ao sabor do vento,
Como o espírito que se exalta na alegria e se consome na negridão da tristeza
Como a vida com as suas boas e más surpresas,
Como o que restará de nós que é a consistência dos afectos que se tornaram eternos
Afectos umas vezes não percebidos, tantas vezes mal transmitidos,

em desencontros da imperfeição humana,
mas no entanto lá…sempre lá, ficando para os dias em que seremos pó como testemunho da nossa presença singular numa pluridade de dois.
A melodia fica…e o tempo nosso passa e há de se esgotar ,
e quando assim for
na hora,

no minuto derradeiro,

quero na minha mão aquela mão de dedos esguios

que me fará sentir que tudo valeu a pena mesmo as mais duras penas


Kumru…caracóis revoltos, saia amarela em rodopio ao vento…Kumru.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

...duas coisas boas...


Duas coisas boas: pão de ló de Margaride e chocolate artesanal Comes…

terça-feira, 21 de julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

AJUDEM ESTA MENINA

Há uma menina que precisa de ajuda.
Ver AQUI.
À Vossa consideração.

...trabalho de férias da rapariga...

Sempre me preocupei que a minha filha lesse. Foi, graças aos Deuses, uma luta fácil já que ela gosta muito de ler.
No entanto, a fazer 19 anos, perdida nas fotocópias e manuais da faculdade, percebi que apesar de continuar a ler não lia “livros a sério” há uns tempos.
Nesse sentido marquei-lhe como “trabalho de férias” a leitura de dez obras:

“O Adeus às armas”, HEMINGWAY, Ernest;
“O Poder e a Glória”, GREEN, Graham;
“A Leste do Paraíso”, STEINBECK, John;
“O Delfim” PIRES, José Cardoso;
“Manhattan Transfer”, PASSOS, John Dos;
“Andam Faunos pelos Bosques”, RIBEIRO, Aquilino;
“O Som e a Fúria”, FAULKNER, William;
“A Festa do Chibo”, LLOSA, Mário Vargas;
“A Mancha Humana”, ROTH, Philip;
“O Vice-Cônsul”, DURAS, Marguerite.

Podiam ser outras, mas se a “coisa” correr bem…outros dez se seguirão.
Aos pais que lêem este blog recomendo que façam como eu: ponham os vossos filhos a ler bons livros. Aposto que se vão surpreender positivamente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

...uma inesperada conclusão...

Dvorak - Songs My Mother Taught Me


A propósito do tema musical acima referido que hoje, por mero acaso escutei, dei por mim a pensar nas “cantigas” que a minha mãe me ensinou e cheguei à conclusão que não me ensinou nenhuma embora me “obrigasse” muitas vezes a cantar só para ter o prazer de se desmanchar a rir ao ouvir a minha voz capaz de quebrar um serviço completo da Vista Alegre.
Realmente, a minha mãe, não me ensinou nem cantigas nem música.
Mas ensinou-me muitas outras coisas a começar pelo valor do humor e da importância de uma gargalhada.
Também me ensinou a ler e literalmente obrigou-me a gostar de ler.
Abriu-me a porta para o mundo do belo. O belo de um quadro, de um jardim selvagem, de uma maré viva.
Deixou-me ser Robin Hood e Lawrence da Arábia, compreendeu as minhas fúrias de criança e ensinou-me que um homem só vale por aquilo que é, nem mais nem menos.
Foi com a minha mãe que descobri o valor da honra e que o medo só é vergonha se não for combatido e superado.
Com a minha mãe aprendi que um colo e uma carícia vale muito mais do que qualquer tratado de educação.
Foi ela, também, que fez de mim um eterno aprendiz, ou seja, ter o gosto pelo aprender e apreender sempre e o prazer enorme de andar a matutar numa ideia ou num facto que não se percebe logo e – por isso mesmo – é um desafio irresistível para as células cinzentas.
Foi a minha mãe que formatou como ela, um desarrumado caótico que no entanto nunca perdeu uma coisa, um papel, um rabisco.
Foi a minha mãe que me ensinou o que deve ser ensinado a uma filha ou um filho e tudo o quanto ensinei à minha filha, fi-lo respeitando, instintivamente, essa “paleta”. E nisso coube a base, o fuste e o capitel e também uma Mona Lisa e o amor pelas viagens, pelo dobrar dos cabos – os de fora e os de dentro.

Apesar de tudo isso concluo que, lamentavelmente, a minha mãe não me ensinou qualquer canção. Com isso salvou-se muito copo de cristal.

domingo, 12 de julho de 2009

...doze de julho...


Mais um ano que passou e nada se desvaneceu.